Ele: estou meio estranho hoje... ando meio sem saber para onde ir...
Ela: somos dois, rs. não vejo a hora de começar aquele novo trabalho. aí vou me ocupar completamente por 18 dias e não terei tempo de pensar tanto em tantas coisas...
Ele: não sei... às vezes preciso ficar só, mas não só em casa... só no mato, talvez... agora preciso de um abraço... ou então fazer isto, me ocupar para não pensar demais, só que às vezes paro e penso se isto não é uma fuga.
Ela: talvez seja.
Ele: se eu penso, e algo me incomoda, essa coisa poderia me incomodar tanto até que eu tome uma atitude, e se eu simplesmente esqueço, essa oportunidade passa.
Ela: a solidão me deprime muito.
Ele: a mim também.
Ela: o ideal é tomar a atitude. a frustração de uma oportunidade perdida é pior, acho.
Ele: é verdade... sempre é... o problema é quando já se está nessa fase, de oportunidade perdida. é preciso fazer alguma coisa, ou ir atrás do impossível, ou ir atrás de outro caminho.
Ela: eu acho que sempre é tempo de tentar... o pior é ficar na dúvida. a dúvida também consome muito. se não tivermos mais dúvidas, nos entregaremos ou iremos em busca de outro caminho.
o problema são as conseqüências, sempre seremos alvo delas, que podem ser boas ou ruins.
Ele: sim. tudo é conseqüência. agir causa conseqüências. não agir também, mas as conseqüências de quando se age são mais fáceis de aceitar. as outras são resultados de eventos que não temos controle, porque preferimos não assumi-lo.
Ela: sim. é mais fácil arcar com as conseqüências de algo que fizemos de fato porque queríamos ou desejávamos...
Ele: sim.
Ela: se o caso for sofrer, não deixaremos de sofrer, mas estaremos conscientes de que fizemos algo.
é difícil também... acho que estou passando por isso agora...rs
Ele: sim. e as soluções que eu queria para todos os meus problemas parecem ser as mais difíceis.
Ela: talvez precise rever estas soluções ou batalhar por elas por mais difíceis que sejam...
pode ser também uma fase... pode melhorar com a chegada da primavera...rs :-)
Ele: pode ser :-)
Ela: acho que preciso de um abraço agora...
Ele: eu também...
Lia Iksonaj e H.
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quarta-feira, 12 de setembro de 2007
terça-feira, 11 de setembro de 2007
Primavera
Maria tinha uma pequena flor em seu jardim. Cuidou desde o início com carinho e amor para que ela pudesse tonar-se uma linda flor.
Era apenas um singelo botão quando Maria avistou pela primeira vez José.
Sem explicação sentiu um pequeno frio na espinha.
A partir de então passou a cuidar daquela flor como se fosse José. E algum dia daria à ele como lembrança e para que ele não esquecesse do seu perfume.
Regava todos os dias rigorosamente no mesmo horário. Podava e trocava até mesmo algumas palavras...
Maria e José encontraram-se uma, duas, três... muitas vezes.
Maria se apaixonou por José. Não se lembra exatamente quando tudo começou.
Certo dia levantou-se apressada pois havia perdido a hora de regar a flor e quando chegou ao jardim, deparou-se com uma flor murcha.
Seus olhos ficaram marejados e sentiu uma dor aguda no peito.
José não quer Maria. José pertence ao mundo dos boêmios, dos bichos soltos e notívagos infindáveis.
Maria, sem saber o que fazer, ficou ali olhando para aquela flor caída, murcha, sem forças e alegria, assim como estava seu coração.
Escorreram lágrimas de seus olhos que pingavam de leve sobre as folhagens do jardim e aquela flor que simbolizava a dor da paixão.
Maria ficou inconsolável.
Mas lembrou-se de repente que em breve é primavera, e muitas flores devem chegar, talvez até mais bonitas e alegres do que esta.
Ficou apenas com a saudade que se estende neste fim de inverno.
(Lia Iksonaj)
Era apenas um singelo botão quando Maria avistou pela primeira vez José.
Sem explicação sentiu um pequeno frio na espinha.
A partir de então passou a cuidar daquela flor como se fosse José. E algum dia daria à ele como lembrança e para que ele não esquecesse do seu perfume.
Regava todos os dias rigorosamente no mesmo horário. Podava e trocava até mesmo algumas palavras...
Maria e José encontraram-se uma, duas, três... muitas vezes.
Maria se apaixonou por José. Não se lembra exatamente quando tudo começou.
Certo dia levantou-se apressada pois havia perdido a hora de regar a flor e quando chegou ao jardim, deparou-se com uma flor murcha.
Seus olhos ficaram marejados e sentiu uma dor aguda no peito.
José não quer Maria. José pertence ao mundo dos boêmios, dos bichos soltos e notívagos infindáveis.
Maria, sem saber o que fazer, ficou ali olhando para aquela flor caída, murcha, sem forças e alegria, assim como estava seu coração.
Escorreram lágrimas de seus olhos que pingavam de leve sobre as folhagens do jardim e aquela flor que simbolizava a dor da paixão.
Maria ficou inconsolável.
Mas lembrou-se de repente que em breve é primavera, e muitas flores devem chegar, talvez até mais bonitas e alegres do que esta.
Ficou apenas com a saudade que se estende neste fim de inverno.
(Lia Iksonaj)
A acrobata
Luz Marina Acosta era menininha quando descobriu o circo Feruliche.
O circo Feruliche emergiu certa noite, mágico barco de luzes, das profundidades do Lago da Nicarágua. Eram clarins guerreiros as cornetas de papelão dos palhaços e bandeiras altas, os farrapos que ondulavam anunciando a maior festa do mundo.
A lona estava toda cheia de remendos, e também os leões, aposentados leões; mas a lona era um castelo e os leões, os reis da selva. E uma senhora rechonchuda, brilhante de lantejoulas, era a rainha dos céus, balançando nos trapézios a um metro do chão.
Então, Luz Marina deciciu tornar-se acrobata. E saltou de verdade, lá do alto, e em sua primeira acrobacia, aos seis anos de idade, quebrou as costelas.
E assim foi, depois, a vida. Na guerra, longa guerra contra a ditadura de Somonza, e nos amores: sempre voando, sempre quebrando as costelas.
Porque quem entra no circo Feruliche não sai jamais.
(Eduardo Galeano)
O circo Feruliche emergiu certa noite, mágico barco de luzes, das profundidades do Lago da Nicarágua. Eram clarins guerreiros as cornetas de papelão dos palhaços e bandeiras altas, os farrapos que ondulavam anunciando a maior festa do mundo.
A lona estava toda cheia de remendos, e também os leões, aposentados leões; mas a lona era um castelo e os leões, os reis da selva. E uma senhora rechonchuda, brilhante de lantejoulas, era a rainha dos céus, balançando nos trapézios a um metro do chão.
Então, Luz Marina deciciu tornar-se acrobata. E saltou de verdade, lá do alto, e em sua primeira acrobacia, aos seis anos de idade, quebrou as costelas.
E assim foi, depois, a vida. Na guerra, longa guerra contra a ditadura de Somonza, e nos amores: sempre voando, sempre quebrando as costelas.
Porque quem entra no circo Feruliche não sai jamais.
(Eduardo Galeano)
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
"O amor cria asas"
Ceix - o honesto rei da Tessália - amava Alcione, sua mulher. Eram dotados de rara beleza e era intensa sua ligação. Mas Ceix vivia perturbado com as misteriosas condições em que morrera seu irmão; e um dia resolveu viajar para um país distante, afim de consultar um oráculo. Alcione se angustia com a distância do marido. Ceix, apanhado por uma tempestade em alto mar, morre afogado.
A poderosa deusa Juno se compadece das súplicas de Alcione pelo retorno de Ceix - e um dia convoca Íris para que peça ao Deus Sono que faça Alcione conhecer a verdade. Morfeu é enviado para contar a Alcione sobre a tragédia. No sonho inspirado pelos deuses, Alcione vê Ceix morto e suplicando por seu amor eterno. Ela acorda desesperada e corre para a praia, onde chora até o amanhecer.
Com o dia claro, Alcione avista uma tábua boiando - e sobre os restos do naufrágio ela percebe o corpo de Ceix. Ela se desespera e corre como louca pelas areias da praia. Apiedados de seu sofrimento, os deuses transformam Alcione em pássaro. Ela voa até Ceix e bica seu corpo morto até devolver-lhe a vida. Juntos eles voam até um rochedo, onde constroem um ninho. Nesse ninho nasceram as primeiras aves do mar.
autoria (?)
Lia Iksonaj
A poderosa deusa Juno se compadece das súplicas de Alcione pelo retorno de Ceix - e um dia convoca Íris para que peça ao Deus Sono que faça Alcione conhecer a verdade. Morfeu é enviado para contar a Alcione sobre a tragédia. No sonho inspirado pelos deuses, Alcione vê Ceix morto e suplicando por seu amor eterno. Ela acorda desesperada e corre para a praia, onde chora até o amanhecer.
Com o dia claro, Alcione avista uma tábua boiando - e sobre os restos do naufrágio ela percebe o corpo de Ceix. Ela se desespera e corre como louca pelas areias da praia. Apiedados de seu sofrimento, os deuses transformam Alcione em pássaro. Ela voa até Ceix e bica seu corpo morto até devolver-lhe a vida. Juntos eles voam até um rochedo, onde constroem um ninho. Nesse ninho nasceram as primeiras aves do mar.
autoria (?)
Lia Iksonaj
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Sinto
Um grito preso na garganta. Um suspiro. Um instante. Um desejo.
A fé que alimenta nossas almas faz com que acreditemos no que ainda está por vir.
E virá, certamente. Sem grandes pretensões.
Uma inquietação. Um questionamento. Uma obsessão.
Não satisfeita com o caminho percorrido, jogo-me abismo abaixo buscando explicações para o que está explícito apenas no abstrato.
Não encontrando respostas, corro em direção ao desconhecido, vasculho nas veias, nas vísceras, nos olhares. Até encontrar o caminho e por este seguir adiante com apenas uma certeza: o grito não está mais preso. Está saindo por todos os poros, por toda a alma e quer ser ouvido.
O anoitecer, o amanhecer, o entardecer...
Um rito de passagem para o infinto.
Saudade, imensa.
Hoje não estou dando conta de controlar tudo o que está reverberando aqui dentro.
(Lia Iksonaj)
A fé que alimenta nossas almas faz com que acreditemos no que ainda está por vir.
E virá, certamente. Sem grandes pretensões.
Uma inquietação. Um questionamento. Uma obsessão.
Não satisfeita com o caminho percorrido, jogo-me abismo abaixo buscando explicações para o que está explícito apenas no abstrato.
Não encontrando respostas, corro em direção ao desconhecido, vasculho nas veias, nas vísceras, nos olhares. Até encontrar o caminho e por este seguir adiante com apenas uma certeza: o grito não está mais preso. Está saindo por todos os poros, por toda a alma e quer ser ouvido.
O anoitecer, o amanhecer, o entardecer...
Um rito de passagem para o infinto.
Saudade, imensa.
Hoje não estou dando conta de controlar tudo o que está reverberando aqui dentro.
(Lia Iksonaj)
segunda-feira, 16 de julho de 2007
Eternizar
Não vou desejar que dure para sempre. Não vou dizer que preciso deste único acontecimento para continuar a viver. Não tenho a pretensão de fazer disso algo muito maior. Não quero conquistar um lugar de extrema importância no infinito. Não sonho com castelos dourados ou estrelas brilhantes. Apenas queria ter o poder de eternizar um momento único...
(Lia Iksonaj)
(Lia Iksonaj)
terça-feira, 10 de julho de 2007
Raízes
Avô - Sabedoria plantada com carinho em minha memória, o cheiro dos trilhos dos trens que me traziam, abriam os caminhos para a vida.
Avó - A loucura que não era loucura a levou amarrada, internada, sem chances de dizer uma palavra. Luto para me livrar das mesmas amarras que perpassam minha mente.
Pai - Introspecção. Silêncio. A maturidade que vem com o tempo e deixa de lado a agressividade, abrindo as portas para uma compreensão maior da vida.
Mãe - Os filhos perdidos trazem a marca na carne. Eu levo comigo a marca na alma. Do amor mais profundo de sentir, à "única" que sempre deve ser aquela de quem tudo se espera.
(Lia Iksonaj)
Avó - A loucura que não era loucura a levou amarrada, internada, sem chances de dizer uma palavra. Luto para me livrar das mesmas amarras que perpassam minha mente.
Pai - Introspecção. Silêncio. A maturidade que vem com o tempo e deixa de lado a agressividade, abrindo as portas para uma compreensão maior da vida.
Mãe - Os filhos perdidos trazem a marca na carne. Eu levo comigo a marca na alma. Do amor mais profundo de sentir, à "única" que sempre deve ser aquela de quem tudo se espera.
(Lia Iksonaj)
quinta-feira, 5 de julho de 2007
Segredo...
(...) Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar.Grande responsabilidade da solidão.
Quanto a mim assumo minha solidão.Que às vezes se extasia como diante de fogos de artifício. Sou só e tenho que viver uma certa glória íntima que na solidão pode se tornar dor. E a dor, silêncio.
Guardo o seu nome em segredo.
Preciso de segredos para viver.”
(Clarice Lispector)
Quanto a mim assumo minha solidão.Que às vezes se extasia como diante de fogos de artifício. Sou só e tenho que viver uma certa glória íntima que na solidão pode se tornar dor. E a dor, silêncio.
Guardo o seu nome em segredo.
Preciso de segredos para viver.”
(Clarice Lispector)
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Dizer o indizível
Como ela poderia dizer com palavras aquilo que sentia?
Por isso não disse, apenas sentiu. Sentiu com o doer dos olhos e o calor da alma.
Tão agradável estar em boa companhia...
Deixar que as coisas caminhem por si só. A vida é mais agradável com estes pequenos momentos de felicidade que brotam quando menos se espera.
E muitas vezes, as palavras não se fazem necessárias.
(Lia Iksonaj)
Por isso não disse, apenas sentiu. Sentiu com o doer dos olhos e o calor da alma.
Tão agradável estar em boa companhia...
Deixar que as coisas caminhem por si só. A vida é mais agradável com estes pequenos momentos de felicidade que brotam quando menos se espera.
E muitas vezes, as palavras não se fazem necessárias.
(Lia Iksonaj)
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